Psicóloga Clínica
Formação e treino psicológico, com experiência profissional em instituições públicas e consultórios particulares.
IOL - Regresso às aulas - Adaptação escolar: sinais de alerta e auxílios importantes
IOL - Regresso às aulas - Adaptação escolar: auxílios importantes
Se quisermos mudar a perspectiva através da qual se olha para o autismo, devemos começar por mudar as nossas suposições.
O autismo é uma perturbação do desenvolvimento global, sobre a qual se conhecem os sintomas genéricos, mas não as causas. Há alguns sinais comuns determinantes para o diagnóstico: é afectada a comunicação com o outro, a interacção e a criatividade.
De resto, não é possível identificar um padrão comportamental ou uma intervenção geral. Ainda assim, há alguns sinais de alarme que se vão manifestando desde os primeiros meses: isolamento, ausência de jogos de imitação (jogo do cu-cu, dizer adeus, etc.), ausência do jogo do faz-de-conta, ausência de atenção partilhada.
A abordagem tradicional de intervenção nos transtornos do espectro do autismo está assente na idéia de que as dificuldades das crianças em fazer uma leitura emocional, em desenvolver empatia e pensamento criativo são permanentes e, portanto, resistentes ao tratamento.
O modelo (D.I.R/Foortime) que está na base do trabalho que desenvolvo com crianças que apresentam perturbações da relação e da comunicação vem contrariar essa ideia. Parte do perfil de desenvolvimento de cada criança e família e preconiza que ajudar a criança autista é tentar entrar no seu mundo e convidá-la a vir “cá para fora”, interagindo de modo a criar as bases para o desenvolvimento social, emocional e intelectual, ao invés de nos focarmos na aquisição de competências e comportamentos isolados.
Em contraste com o modelo tradicional, a nova abordagem reconhece que cada criança tem um caminho único para a doença e, portanto, o caminho de cada criança para a melhoria também deve ser exclusivo. Além da superação de sintomas, o objetivo do tratamento neste novo modelo é ajudar a criança a dominar os marcos emocionais saudáveis que foram perdidos no seu desenvolvimento precoce e que agora sabemos que são fundamentais para a aprendizagem.
Com este novo modelo, podemos fazer um melhor trabalho de identificação precoce de crianças em risco.