Gravidez

Estou Grávida!

O ventre materno é o primeiro mundo do ser humano e experienciá-lo como amistoso ou hostil, contribui certamente para alguns dos traços de carácter e da personalidade da futura criança.
É de extrema importância que a mulher grávida imagine o seu bebé, pense sobre ele, sonhe com ele.
Quando a mulher engravida, todos assumem que ela deve estar felicíssima. Num ambiente destes, é difícil para a mulher assumir, mesmo para si, conflitos e ambivalências internas que a possam estar a assaltar.
Depois de criado o espaço físico para o bebé (útero), é necessário criar um espaço mental, sem o qual um bebé não poderá sobreviver. Hoje em dia, relacionam-se muitos casos de aborto com a falta desse espaço mental dentro da mãe que pudesse acolher o bebé.
Para criar o espaço mental, é necessário que a mulher grávida abrande o ritmo de trabalho para que direccione grande parte da sua energia e também do seu tempo para o crescimento e acolhimento do seu bebé.
É necessário, também, que a gravidez e o bebé sejam desejados. E não só.
É necessário que o pai do bebé seja desejado pela mãe, caso contrário, e principalmente na situação de o bebé ser um menino, que se poderá parecer muito ao pai, esse filho pode para a mãe, ser a imagem viva de um homem que ela não aprecia.
Com o passar do tempo, vai-se criando a imagem de um bebé imaginário, normalmente a par da audição dos batimentos cardíacos fetais, pelo dar sentido aos movimentos fetais em situação de ecografia e fora dela, pela comunicação verbal e táctil com o bebé.
Fantasia-se sobre o sexo do bebé e no confronto, através de ecografia, com o sexo real podem ocorrer problemas. Tenho como exemplo, uma mulher grávida que recebi e que tinha criado uma imagem tão forte de uma menina dentro dela, que foi necessário perceber as origens inconscientes dessa necessidade de ter uma menina. Ela não tinha desejo de ter um filho, mas sim de que através da menina dela (que era um duplo dela) ela, a mãe pudesse renascer e reparar as feridas da sua vida.
A mãe vai-se ligando ao bebé e a qualidade desta ligação influencia o seu crescimento, desenvolvimento e características próprias.
A mãe necessitará personificar o bebé para que, na hora do parto, não se encontre com alguém completamente estranho a ela. Essa personificação vai acontecendo à medida que os pais escolhem o nome do bebé, as suas roupas, modificam a casa.

Mais tarde, começam as preocupações com o parto e, no que diz respeito a estes temas, a mulher grávida deverá buscar um quanto baste de informação, para que possa estar o mais possível no controlo da sua situação. Ter noção das várias fases do parto, do funcionamento da maternidade que escolheu e do que pode esperar no pós-parto pode ajudar a reduzir a ansiedade.
Finalmente, nasce o bebé e substitui-se a imagem de um bebé imaginário, idealizado, pelo bebé real. Quando há uma distância grande entre um e outro, como no caso de crianças com anomalias congénitas, a mãe tem dificuldade em elaborar o luto do filho imaginário para assim investir no bebé real.
Todas as fases descritas podem ocorrer de forma mais harmoniosa ou menos harmoniosa.
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