Depressão Infantil

As crianças também têm depressões?

A patologia depressiva parece-nos cada dia mais frequente.
Na clínica encontramos cada vez mais crianças que nos dizem "não gostei de ter nascido" ou "não gosto de ir à escola nem de brincar", demonstrando uma falta de prazer generalizada; exemplo disso é uma criança que recebo em consulta e que até as brincadeiras lhe provocam suspiros de enfado e fadiga.
A criança deprimida fala mais através de actos sintomáticos, aos quais é necessário estar-se atento.
Muitas vezes, em vez de uma tristeza manifesta, aparece uma instabilidade, anorexia, queixas somáticas, gaguez, tiques, enurese, encoprese, dificuldades de aprendizagem. A depressão infantil é considerada uma perturbação da organização do sentimento de auto-estima.
Encontramos nas crianças reacções depressivas na sequência da perda afectiva ou real de alguém (morte, separação, distância forçada, desligamento afectivo, abandono).
Aqui, as crianças reagem por abatimento (reacção mais preocupante) ou por raiva/revolta (reação mais sadia). Na sequência da reacção depressiva, a criança pode desenvolver um processo depressivo, que consiste na auto desvalorização e/ou auto-acusação numa tentativa de explicar a si mesmo a razão da perda. Mesmo que esta perda não seja "real", a criança que está a deprimir-se sente que alguém importante para ela já não a ama como anteriormente amava, instalando-se no Self um estado de desânimo, muitas vezes acompanhado de raiva.
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